Ontem, voltando do trabalho, comprei um salame comum. Não era dos mais baratos, mas também não era nada sofisticado. Apenas um produto normal da prateleira do supermercado, daqueles que a gente pega automaticamente sem nem olhar a marca.

Eu estava com fome, quase não tinha nada em casa, então pensei em fazer alguns sanduíches e assistir a um filme. Nada de especial. Uma noite absolutamente comum, que em poucas horas se transformaria em algo que eu jamais conseguiria esquecer. Em casa, abri o salame, cortei algumas fatias e comi. O gosto parecia normal. Talvez tivesse um cheiro um pouco estranho, mas não dei importância. Hoje em dia ninguém sabe realmente o que está comendo mesmo. Guardei o restante na geladeira.

Na manhã seguinte, acordei cedo. A cozinha estava silenciosa, chovia lá fora, e eu só queria preparar um café da manhã rápido. Tirei o salame da geladeira, coloquei sobre a tábua e peguei a faca. Quando comecei a cortar mais algumas fatias, percebi imediatamente que havia algo errado. A lâmina encontrou resistência. No começo pensei que estivesse apenas duro por causa do frio. Forcei um pouco mais, mas a faca quase travou.

A sensação foi estranha. Desagradável. Como quando a pessoa sente no fundo que alguma coisa está errada, mas o cérebro ainda se recusa a aceitar.

Cortei outro pedaço.

E então vi aquilo.

No meio da massa rosada havia algo brilhando.

Meu coração disparou. Larguei a faca e fiquei alguns segundos olhando aquele pequeno reflexo metálico. Minha mente começou a procurar explicações absurdas — uma peça da máquina da fábrica, um parafuso, qualquer coisa. Mas quando enfiei os dedos no salame e comecei a puxar o objeto, um arrepio gelado percorreu minhas costas.

Não era um parafuso.

Não era uma peça de metal.

Era um pen drive.

Um pen drive comum escondido exatamente no meio de um salame fabricado industrialmente.

Naquele instante senti um enjoo imediato. Lembrei que já tinha comido aquele salame na noite anterior. Minha cabeça entrou em pânico. Quantas coisas assim as pessoas já tinham ingerido? E se houvesse algo perigoso ali? E se alguém tivesse feito aquilo de propósito?

Fiquei parado na cozinha por vários minutos, encarando o objeto ao lado da faca. A chuva lá fora aumentava e eu tinha a sensação de que o ar da casa havia mudado. Tudo parecia estranho. Irreal.

Eu deveria ter jogado aquilo fora.

Deveria ter chamado a polícia.

Mas a curiosidade venceu.

Sentei em frente ao computador, com as mãos tremendo, e conectei o pen drive.

No começo, nada aconteceu.

Depois, uma pasta se abriu.

E o que eu vi fez meu sangue gelar.

No dispositivo não havia filmes, documentos ou fotos de família.

Havia centenas de vídeos.

Cada arquivo tinha apenas uma data e um horário. Nada mais.

Abri o primeiro vídeo.

A imagem era ruim, a câmera tremia, e durante alguns segundos eu não consegui entender o que estava vendo. Depois percebi: a câmera estava escondida em algum ponto alto de uma sala. Parecia uma instalação industrial.

Então vi as pessoas.

Homens usando jalecos brancos.

Máquinas.

Carne.

Uma quantidade absurda de carne.

No começo pensei que fosse apenas uma fábrica comum de alimentos. Mas, poucos segundos depois, percebi algo terrível. No chão havia pedaços de carne suja misturados com lixo. Algumas partes estavam esverdeadas de mofo. Funcionários, sem luvas, jogavam tudo de volta em enormes misturadores.

Então a câmera mostrou algo ainda pior.

Ratos.

Dezenas de ratos correndo diretamente sobre a carne.

Um deles caiu dentro da máquina — e ninguém interrompeu a produção.

Um homem de jaleco apenas olhou ao redor, fechou a tampa e continuou trabalhando.

Meu estômago virou.

Fechei o vídeo rapidamente, mas não conseguia desgrudar os olhos da tela. Minha cabeça estava zunindo. Tentei convencer a mim mesmo de que aquilo era uma brincadeira de mau gosto ou algum vídeo falso da internet.

Mas então abri outro arquivo.

Dessa vez não era uma fábrica.

Era um escritório.

Alguém estava gravando secretamente uma conversa entre vários homens de terno. Eles falavam em tcheco. Sobre a mesa havia documentos com o mesmo logotipo da empresa que aparecia na embalagem do salame na minha geladeira.

Então ouvi uma frase que nunca vou esquecer:

“Se essas gravações vazarem, estamos todos mortos.”

Congelei.

Um dos homens andava nervosamente pela sala, repetindo que um funcionário havia começado a copiar arquivos. Outro dizia que o pen drive precisava desaparecer antes da fiscalização chegar.

Então o vídeo terminou abruptamente.

Fiquei sentado, completamente imóvel. A chuva continuava caindo lá fora, mas eu tinha a sensação de que o mundo inteiro havia parado. Lentamente virei a cabeça na direção da geladeira, onde ainda estava o resto do salame.

E naquele momento percebi algo ainda mais assustador.

Aquele pen drive não tinha ido parar ali por acidente.

Alguém o escondeu de propósito.

Alguém precisava desesperadamente que aqueles arquivos fossem encontrados.

Talvez um funcionário.

Talvez alguém que desapareceu.

Talvez alguém que já nem esteja mais vivo.

Minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia segurar o telefone. Queria chamar a polícia, mas naquele instante o último vídeo abriu sozinho na tela.

Durante alguns segundos, a imagem ficou preta.

Então apareceu o rosto de um homem.

Ele estava ferido. Havia sangue em seu rosto e parecia aterrorizado.

Ele olhou diretamente para a câmera.

Diretamente para mim.

E sussurrou:

“Se você está assistindo isso… significa que eles já me encontraram.”

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